04/25/2008

Maravilhas do Capitalismo Tupiniquim

Fiquei abismada ao ler a notícia na Globo.com sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi (antiga Telemar). A matéria mostra que, com a fusão, a Oi passa a controlar quase todo o serviço de telefonia no país. Apenas São Paulo fica de fora.

Na verdade, a ANATEL ainda precisa regulamentar o processo. E difilmente deixará de fazê-lo. Em nota, a Telemar afirmou que "está em curso iniciativa do Ministério das Comunicações no sentido de recomendar, dentre outras iniciativas voltadas ao desenvolvimento do setor e ao estímulo da competição, a supressão da vedação referida anteriormente (...) que impedem a transferência de controle ou de concessão". Eu não sou nenhuma especialista ou analista econômica, mas é realmente difícil crer que fusões incentivam a concorrência. Recapitulando: UMA empresa irá controlar o serviço em todo país, exceto São Paulo. Cadê a concorrência?

E viva o capitalismo tupiniquim e as agências (não)reguladoras!

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Farinha para Dor

Ser humano gosta de alimentar sofrimento. E essa música da Kate Nash tem sido a "farinha" para minha dor (ressaltei algumas partes em negrito).

Nicest Thing

All I know is that you're so nice,
You're the nicest thing I've seen.
I wish that we could give it a go,
See if we could be something.

I wish I was your favourite girl,
I wish you thought I was the reason you are in the world.
I wish my smile was your favourite kind of smile,
I wish the way that I dressed was your favourite kind of style.

I wish you couldn't figure me out,
But you always wanna know what I was about.
I wish you'd hold my hand when I was upset,
I wish you'd never forget the look on my face when we first met.

I wish you had a favourite beauty spot that you loved secretly,
'Cos it was on a hidden bit that nobody else could see.
Basically, I wish that you loved me,
I wish that you needed me,
I wish that you knew when I said two sugars, actually I meant three.

I wish that without me your heart would break,
I wish that without me you'd be spending the rest of your nights awake.
I wish that without me you couldn't eat,
I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep.

All i know is that you're the nicest thing I've ever seen
And I wish that we could see if we could be something

04/19/2008

Marilene Felinto, ONG e meu pai: uma estranha coincidência

Sexta-feira à noite. Tédio. É impressionante como os canais de filmes da TV a cabo passam tanta coisa ruim ao mesmo tempo. Resolvi, então, terminar de ler a edição de abril da Caros Amigos. Começo pelo artigo de Marilene Felinto (colunista da revista que escreve sobre educação - sobretudo a paulista), intitulado "O governo Serra e a formação de imbecis" (não está disponível na web) e eis que me deparo com algo que me remeteu a um encontro simplesmente bizarro que tive no ano passado, com uma pessoa igualmente esquisita.

Voltando a 2007...

Num dia de trabalho qualquer, recebi uma ligação de meu pai. Ele disse que havia conhecido uma pessoa e que ela estava precisando dos meus serviços (jornalísticos. Ainda não estou matanto por dinheiro, fiquem tranquilos). Marquei um encontro com a tal pessoa para o mesmo dia. O indivíduo, com nome engraçado - que eu não vou citar, claro -, pertencia a uma ONG ligada à educação, o que já me deixou muito desconfiada, graças ao Sérgio Bianchi. Ele precisava de alguém para organizar a comunicação da "empresa", como ele mesmo disse. A conversa deve ter durado uma hora. E ia piorando à medida que falávamos de nossas posições políticas: eram extremamente opostas. Perto do moço eu era de fato uma radical de esquerda.

Eu lembro exatamente o ponto em que a conversa tornou-se incômoda para mim. Foi quando ele disse qual era a proposta da ONG: conseguir dinheiro (público, de preferência) para que os profissionais da "empresa" dele se instalassem nas escolas públicas para treinar professores. E para quê? Para que eles, os profesores, aprendessem a identificar "gênios" ou crianças superdotadas nas turmas. E as outras crianças? Ah, essas outras não servem para nada. Já estão marginalizadas mesmo. O que realmente importa é que o "mercado", essa instituição quase espírita que, dizem por aí, se auto-regula, é competitivo e não perdoa. E é isso que as nossas crianças devem aprender desde cedo: que o mundo é cruel e só os melhores, os "vencedores" sobrevivem (ou os mais ricos). Achei a proposta um tremendo disparate. E, claro, disse ao moço que não poderia ajudá-lo a realizar um projeto que vai contra TODAS as minhas convicções, e não apenas as políticas (o que, para mim, já teria sido o suficiente para não participar).

Daí a minha surpresa ao ler o artigo de Marilene Felinto, que diz, em determinado trecho que "A brutalidade tucana inventou mais uma diretriz estúpida, na mesma linha de 'sobrevivência do mais apto': a de 'treinar' professores para identificar os alunos superdotados da classe!"

Coincidência, né? Ou não? Estranho, né? Ou não? O que vocês acham? Terá o governo de São Paulo a ver com o meu encontro bizarro?

Aliás, recomendo não só o artigo da dona Felinto, como toda a edição de abril da Caros Amigos

E viva as sextas-feiras tediosas!