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03/21/2006

Os Esquecíveis

Existem filmes que realmente marcam uma vida, que nos fazem parar e pensar em tudo que está ao nosso redor, que nos fazem refletir. Blá, blá, blá. A verdade é que a maioria das pessoas não liga para isso, querem simplesmente se acomodar no sofá ou na poltrona e ter um momentinho de lazer. Sim, pra esquecer a cara do chefe, os filhos, o que ainda não foi e deve ser feito e porque não, a pessoa que está ao seu lado! Sinceramente, haveria outro motivo para a Jeniffer lopez ser atriz? Ou a Julia Roberts (tudo bem vai, Closer salvou a carreira da atriz... Mas o estigma ficou...).


Não estou criticando os filminhos, pelo contrário. Estou aqui em defesa dos pobres-enredos-pobres. Eu sei que às vezes o estresse é tão grande que um filme do Stanley Kubrick explodiria a cabeça de um. Portanto, nada melhor que uma comédia romântica bem light, daquelas que rimos, suspiramos, choramos e, uma hora depois já não sabemos mais quem é o ator que nos fez suspirar. Viram bem, eu disse comédia romântica, o estilo mais inofensivo do cinema, o único gênero que pode se dar ao luxo de ser, digamos, esquecível.


Portanto, nada de comparar "Um lugar chamado Notting Hill" com os filmes do Charles Bronson. O segundo não tem justificativa alguma para sequer existir. Então, irei enumerar alguns desses filminhos que marcaram apenas alguns poucos momentos (uns 110 minutos) em nossas vidinhas.


Uma linda mulher: Com Julia Roberts e Richard Gere. Quem nunca suspirou quando viu a Julia deixar a vida fácil para agarrar uma vida mais fácil ainda ao lado do milionário Richard Gere? E tem cena mais legal do que quando a personagem de Julia, Vivian, vai às compras e volta toda chique para esnobar a vendedora que a desprezou? O fato é que o filme de 1990 ainda leva muitas menininhas às nuvens. Só não vamos comentar o figurino da Julia...


Um lugar chamado Notting Hill: Outra pérola de Julia Roberts. Mas, meninas, quem resiste ao sotaque britânico e ao jeitinho estabanado do Hugh...Ah, Hugh...Desta vez Julia não é uma prostituta, e sim uma atriz cansada dos holofotes, enquanto Hugh Grant (ah, Hugh) interpreta um simples comerciante de guias turísticos. Deu certo? Não me lembro...


10 coisas que eu odeio em você: Tudo bem. Há quem considere esse filme mais um clássico baboseira-de-high-school-americana. Até é...Mas é tão bonitinho. Particularmente o considero uma comédia-romântica teen. A melhor cena do filme não é a que o Heath Ledger canta “Can´t take my eyes off of you”. E sim quando a Julia Stiles lê um poema em sala de aula no fim do filme. Eu sempre chorava. Parte dele dizia que “...I hate it when you make me laugh — even worse when you make me cry. / I hate it that you're not around and the fact that you didn't call./ But mostly I hate the way I don't hate you — not even close, not even a little bit, not even at all.” Nossa...Não é que ainda causa um efeito estranho sobre mim...


O casamento dos meus sonhos: Não é tão conhecido quanto “uma linda mulher”, mas podemos dizer que Jennifer Lopez é uma forte candidata à rainha dos esquecíveis. Sua personagem, Mary Fiore, é uma organizadora de casamentos (blergh) bem-sucedida e independente até que...Apaixona-se pelo noivo do casamento que está organizando. O galã do filme é o Matthew McConaughey. Nada mal, né?


Como perder um homem em 10 dias: Mais uma trama com Matthew McConaughey. Só que desta vez ele não é noivo de ninguém, e sim um solteirão convicto que faz uma aposta para conseguir uma campanha milionária. A aposta? Conquistar uma bela moça, interpretada por kate Hudson. O que o rapaz não sabia era que a sua vítima, uma jornalista de assuntos femininos também o usaria como cobaia para sua próxima matéria. Não é lá essas coisas, o filme rende mais risadas do que suspiros. E só vale a pena por isso.

03/13/2006

A política do bom discurso

É inevitável. Ela nos persegue. Não tente fugir. A política está em todos os cantos possíveis, impossíveis e inimagináveis (esses são criados pelos parlamentares. É sempre um bom lugar para superfaturar obras e esconder dinheiro público). A política é parte de nossas vidas. Não podemos simplesmente ignorá-la por mais avesso que sejamos à ela. Seria inadmissível não termos opiniões a respeito. Aí é que está. Ter uma posição não significa decorar um discurso revolucionário-ultrabatido e achar que vai salvar o país com ele. Quem quer salvar o país, sério?

Tudo bem, pareceu pessimista. Mas me desculpem, eu vi um impeachment, três mudanças de moeda, cinco presidentes, dezenas de CPIs e o pior - vejo meu país afundando, cada vez mais. Sou brasileira e minha paciência tem limite! Com todo este histórico não dá pra vibrar a cada eleição. Ah, eleição...

E não adianta dizer que não agüenta mais tanta CPI, tanta acareação, Tanta MP, ou cassação. Acostume-se com isso! Somos brasileiros, afinal. Estou me sentindo confusa...(pausa para acalmar os ânimos e a revolta).

Não consigo simplesmente continuar acreditando. Por que temos de ser estigmatizados como o "povo da esperança"? Por que eu tenho que ser brasileira e não desistir nunca? Estou tão cansada...Quero desobrigar-me desta função. Não quero mais ser uma cidadã cega, uma otimista sem motivos, não quero ter a solução. No momento, não sei nem se quero jantar. Eu não sei o que é bom para o país, eu não tenho um discurso falacioso detalhadamente decorado, eu não quero explodir Brasília, eu não quero ter um candidato, eu quero ter o direito de anular meu voto sem ser chamada de antidemocrática. Estou pedindo demais? Seria tão utópico assim?

Portanto, não me venha com discursinhos prontos, odeio ouvi-los. Principalmente pelo fato de a política ser inevitável. Já que não posso simplesmente ignorá-la, me reserve o direito de querer um pouco de coerência.

21:55 Posted in Protesto! | Permalink | Comments (3) | Email this

03/11/2006

Os jogos que as pessoas (pensam que não) jogam

Sempre me achei uma pessoa transparente, sincera, direta. Outro dia, conversando com um amigo, desconstrui tudo que eu achava que era. Disse exatamente o que está escrito na primeira frase deste texto. Logo em seguida, completei: "mas eu sei mentir muito bem!". O que é isso? Enlouqueci? Ou será que, finalmente, fui sincera comigo mesma e criei um enorme paradoxo interno? Serei eu uma "mentirosa sincera"?

Comecei a refletir sobre isso. Afinal, o que realmente sou (não que eu esteja tentando me rotular com apenas uma característica, apenas estou buscando a verdade da minha essência)? Encho a boca para dizer que odeio joguinhos amorosos e que odeio quem os joga. Soa hipócrita depois de tudo que escrevi aqui. E é um tanto cínico, confesso. O que motiva as pessoas a tomar atitudes das quais não têm a verdadeira intenção? Quando começamos a agir desta forma?

Quando eu era mais nova - não que eu seja velha, enfim! - me comportava de maneira diferente, mais autêntica. Não podia suportar a dúvida (o que até hoje é uma tarefa difícil para mim), ou estava afim ou não estava! Era tão direta a ponto de assustar os pobres mocinhos de 15 anos! Com o (pouco) tempo aprendi que não deveria ser bem assim. Percebi que ninguém queria uma pessoa verdadeira. Parecia que "jogar" era muito melhor.

Penso que algumas pessoas jogam porque querem se defender. É isso mesmo. Eu já tive uma série de relacionamentos ruins e aprendi algo com todos eles. De cada relação falida nós levamos algo conosco. Quando nosso coração se parte e se reabilita, sempre fica uma cicatriz. E esta cicatriz representa algo que aprendemos. Alguns vícios, algumas mágoas. E para nos protegermos do próximo relacionamento, quando pensamos que podemos passar por tudo aquilo novamente, nós criamos defesas. Elas vêm em forma de jogos. Não ligo se ele não ligar, não direi que estou com saudades, não vou dar no primeiro encontro. E daí, todas essas atitudes, praticamente automáticas, nos tornam jogadores inconscientes. Eu sou um deles. E quem não é?
Todo meu discurso de sinceridade vai por água abaixo quando paro para analisar racionalmente minhas atitudes. Eu jogo sim. Mas para me defender, para proteger meus sentimentos, para mostrar o melhor de mim e que os defeitos venham um ano depois! Eu jogo porque é mais seguro, porque eu já me machuquei demais e como doeu! Não posso me condenar por algo que, em se tratando de relacionamentos, é inevitável.

Para não dizer que não há momentos de sinceridade, exponho mais uma característica de minha imperfeita personalidade: sou impulsiva. Quer momento mais sincero que este? O arrependimento que bate logo depois do ato impensado também é sincero. Eu me considero uma pessoa transparente, porém cuidadosa. Ninguém pode ser considerado mau por querer o melhor para si. Ninguém deve condenar os jogos que as pessoas jogam porque no fim, todos fazemos parte deles.

03/09/2006

Oito motivos para não comemorar

O Dia Internacional da Mulher é uma farsa. Sim, isso mesmo, uma grande mentira. No dia 8 de Março de 1857, na cidade de Nova York, milhares de mulheres protestavam contra a desigualdade de gênero e a favor do reconhecimento de seus direitos. A polícia reagiu à manifestação deixando mortas e feridas no que se tornou o dia simbólico em homenagem às mulheres. Não preciso de parabéns ou de comemorações. Dispenso, obrigada. E em pleno século XXI ainda enfrentamos muitos problemas parecidos com aqueles do século XIX. Aí vão oito razões para protestar contra esta data infame.

1.Diferenças de cargos e salários

É inadmissível que ainda haja discrepâncias em relação à vida profissional dos gêneros. Céus, não vejo razão para os homens ganharem mais, tendo o mesmo cargo que a mulher. Absurdo sem tamanho.

2.Você pode ser tudo, desde que também seja mãe e dona-de-casa

É exatamente assim que grande parte da sociedade ainda pensa. As mulheres podem ter a liberdade que quiserem, desde que tenham filhos e cuide do maridinho. Nojento.

3. Piadinhas e mais piadinhas...

O machismo ainda existe e todo mundo sabe muito bem disso. A melhor maneira de ofender, violentar alguém é através do sarcasmo, da ironia. As piadas são a melhor arma desses porcos chauvinistas para ofender a causa feminina.

4. Oriente Médio

Eu entendo que temos de ser relativistas em relação às diferenças culturais. Mas andar toda coberta e, alguns casos, ter de pedir autorização ao marido ou ao filho (???) para sair da cidade não é lá aceitável.

5. Estereótipos

Loura-burra, piranha, santinha...Chega de rótulos! Somos o que somos! Não há nada mais incoerente do que pré-julgamentos, portanto, homens e mulheres, não os façam!

6. A mulher é emocional e o homem racional

Essa é a maior besteira que existe. E desde o final do século XIX essa baboseira vem rolando por aí. Só que naquele tempo os médicos diziam que o desenvolvimento do cérebro feminino acarretava no atrofiamento do útero. Isso é sério?


7. Garanhões e galinhas

Essa é clássica. Homens que saem por aí “pegando” tudo o que se mexe são os famosos “garanhões”. Adivinha o que acontece se uma mulher fizer o mesmo? Vagabunda, galinha, e por aí vai...

8. Aborto

Por mais religiosidade que o assunto envolva, é direito da mulher decidir se deve ou não ter um filho. Afinal é o seu corpo, seu futuro que está em jogo. Muito fácil julgar a ação como assassinato, quando devemos pensar que não é certo colocar um ser humano no mundo sem o menor preparo para tal.


Um dia, talvez, as mulheres tenham reais motivos para comemorar. Quem sabe no próximo século.

14:55 Posted in Protesto! | Permalink | Comments (3) | Email this

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