04/17/2006
Agressão à moral
Um tapa na cara. Ou um soco na boca do estômago. O que doer mais. Porque dói. Depois de assistir à trama de “Irreversível” parece que “algo morre dentro de nós”, de acordo com a minha amiga cronista, Ingrid Varella. E é exatamente isso que o filme sugere. Não por acaso, o longa é contado de trás pra frente, e as cenas mais fortes se passam no início. Portanto, o máximo de atenção aos acontecimentos é extremamente importante. O título faz alusão, justamente, ao fato de saber as conseqüências antes de conhecer os fatos que as originaram. E que não há nada que possa ser feito para mudar o que aconteceu, são eventos irreversíveis.
O diretor francês Gaspar Noé, que também é o roteirista da trama, tem a clara intenção de chocar o público em diferentes sentidos. Os movimentos de câmera são constantes e intensos, muitas vezes em círculos, chegando a causar náuseas no espectador. Muitas cenas são escuras, com uma sonorização hipnótica e perturbadora, e não há cortes nas cenas. Quer dizer, há cortes sim, mas não na mesma tomada. E quando muda para outra, a câmera gira, como se estivesse buscando os personagens dos acontecimentos anteriores, voltando no tempo.
Outro aspecto do longa que causa um certo incômodo intencional, é que o filme trata de uma vingança. A primeira sequência narra o desespero de dois homens, Marcus (Vincent Cassel) e Pierre (Albert Dupontel) para encontrar o responsável pelo estupro e espancamento de Alex (Mônica Bellucci), atual namorada do primeiro, e ex do segundo. Em seguida, a narrativa conta os fatos que motivaram a vingança, e os fatos antecedentes à tragédia. Os personagens são reais, dramáticos, humanos. As interpretações são limpas, impecáveis, desesperadoras, com destaque para a bela Mônica Bellucci na cena do estupro. Não é válido dar mais detalhes da sequência, mas é certo afirmar que é muito real, extremamente chocante, violenta e surpreendentemente longa.
Uma agressão à moral. É impossível não reagir à seqüência contrária dos acontecimentos, às cenas escuras e perturbadoras, à dramaticidade das situações e à violência extrema. O primeiro diálogo do filme dá o tom da conclusão da trama com uma simples frase: o tempo destrói tudo. O futuro é inevitável, simplesmente irreversível.
13:55 Posted in Desligue a droga do celular! | Permalink | Comments (5) | Email this


Comments
Ai ai ai...preciso achar esse filme aqui na roça!
PRECISO!
Estou louca pra ver...mas sem MC Fish no estômago, né?
:)
Beijos, lindona!
Posted by: Má | 04/17/2006
Esse filme é foda. Mesmo que mate algo por dentro. Quero ver de novo. Não sou sádica. Mas é que uma vez só não é suficiente. Ali tem muito mais coisas guardadas. Coisas que
provavelmente vão matar mais por dentro. E cada diálogo, cada cena, cada detalhe é importante. É irreversível o efeito mesmo...
Beijos
Posted by: Ingrid | 04/17/2006
Tá na minha lista de filmes a serem assistidos. Quando eu te ligar de dentro da Blockbuster, não esquece de me lembrar dele. :)
Beza!
Posted by: Amanda | 04/18/2006
Adicionado a minha lista d filmes à assistir...
Pelo q vc fala, parece ser imperdível...ñ só pela Monica Belucci...hahahah
Achei seu blog por acaso...vc escreve mt bem...
Comentei seu texto anterior...
Desculpe a invasão!
Posted by: Alexandre | 04/19/2006
Gostei do seu blog continue escrevendo mais
Posted by: Romeu | 04/22/2006
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