06/05/2006

Fez-se vida

Existem inúmeros provérbios e ditados relacionados à vida. Confesso ser avessa a este tipo de coisa, mas vou citar um, o único que considero coerente: “a única certeza da vida é a morte”. Não é que é verdade?

Nesses últimos tempos tenho refletido sobre tudo. Não sei se isso é bom, parece que cada vez que analiso alguma coisa, percebo que algo não está certo. E no final da análise parece estar TUDO errado. Tudo fora do lugar, sem sentido, sem compasso.

O próximo passo é o desânimo. Ler pra quê? Estudar pra quê? Trabalhar pra quê? Amar pra quê e a quem? Se tudo que eu quero parece estar fora do meu alcance, será que ainda tenho que esticar os braços para alcançar alguma coisa? Melhor acreditar na mediocridade e ficar quietinha. O mais sensato é pensar que está tudo parado, que nada vai acontecer, nada vai melhorar. Cultivar a melancolia é a atividade perfeita...

Enquanto isso o tempo passa. As pessoas passam, junto com os momentos e as fases. Será que estou realmente perdendo alguma coisa? Ou melhor, será que ganho alguma coisa com todo esse pessimismo?

Juro que tenho tentado ver o lado positivo das coisas, mas ele anda tão escuro quanto o negativo. Não estou conseguindo enxergar além da neblina. E não é por falta de ajuda, eu acho. Tenho amigos maravilhosos, pessoas com as quais sei que posso chorar sem parecer ridícula. Aliás, creio que seja um bom momento para me desculpar com eles. Ando tão chata e egoísta pensando nos meus problemas que, provavelmente, algum deles precisou de mim e eu nem percebi. Perdoem-me, por favor. Vocês são essenciais e, se não fosse pelos (bons) conselhos que tenho tentado absorver, não estaria aqui, escrevendo um fim diferente para este texto.

Eu reconheço tudo o que sou, as coisas boas e ruins. E posso dizer, sem falsa modéstia, que tenho mais coisas boas que ruins. Se existem pessoas que não enxergam isso, não sou eu quem está perdendo. Eu sou mais eu e pronto. Aprendi, e não foi ontem, que dar a volta por cima é essencial e especialmente gratificante para o ego. E não é qualquer fato ou pessoa que acaba com a minha autoconfiança, ela é forte e persistente.

Não tenho certeza do futuro. Mas não tenho medo dele.

Comments

Como dizem os metaleiros: "muito TRUE"...

Posted by: Pedro Pontes | 06/05/2006

Para curar seu desânimo, escolha sua resposta.

a) Esse papo de “a única certeza da vida é a morte” é furada. Só porque todo mundo morre não quer dizer que será sempre assim. A tecnologia, se não nos destruir antes, nos dará vida eterna. Nem que seja no mundo virtual(-al-al). Duvida?

b) Você precisa de bom sexo. Ou chocolate.

c) Pense assim: alguns (muitos!), em lugar de escrever otimamente (isso existe?) como você, iriam ler Paulo Coelho.

d) Você é foda!

e) Bi-bi-bi! Tunak, tunak!

Quero ver agora comentário melhor!

Posted by: Helio | 06/06/2006

O lado positivo existe sim. É que às vezes ele fica de cabeça pra baixo. O problema é querer que tudo aconteça ao mesmo tempo. Seria o ideal, claro, mas nem sempre está tudo 100% maravilhoso. Você é uma ótima pessoa, cheia de potencial e que pode estar se sentindo meio perdida ou sem rumo agora. Mas logo, logo isso vai se inverter e as coisas vão melhorar. Isso não é otimismo. É apenas a realidade que tende a acontecer com pessoas como você.

Estou sempre aqui, pra qualquer coisa.

Beijos enormes

Posted by: Ingrid | 06/06/2006

A Ingrid marcou d).

Posted by: Helio | 06/08/2006

É difícil mesmo. Mas passa. Da mesma maneira que você já aprendeu a dar a volta por cima, você já aprendeu que passa.

Como eu já disse antes, só alguém muito fechado nos seus próprios pré-conceitos que não consegue ver quem você é. O quanto você é. O quanto você tem.

E eu tô aqui, sempre!
Amo muito!

Beza!

Posted by: Amanda | 06/14/2006

Patty, só dá d)!

Posted by: Helio | 06/18/2006

Isso cheira a crise dos vinte e poucos anos.

Fase na qual você questiona o sentido de tudo e passa a ter medo do que esta por vir.

Eu já passei e passo por isso, assim como amigos meus que em suas conversas expuseram tais sentimentos.

Posted by: Thiago | 06/28/2006

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