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02/13/2007
Desabafo
Cansei. Não consigo mais ver televisão, ler jornais (nem mesmo as versões online) ou ouvir rádio. Toda a minha perturbação e irritação tem um nome (composto): João Helio. Na verdade, tenho pena da criança, pela morte horrível e, imagino, desesperadora. Mas o que realmente me perturba é a exploração desmensurada que a mídia anda fazendo do caso. O menino está sendo usado para pautar as coisas mais absurdas, como diminuir a maioridade penal e - pasmem - discutir a pena de morte.
Como pensar em diminuição da maioridade penal em um país onde já se condena jovens pobres à criminalidade e à morte precoce, por conta da ausência do Estado e do desprezo da sociedade? Será porque é muito mais fácil propor que meninos de 16, 17 anos sejam presos e jogados de vez no universo da criminalidade, em um caminho sem volta, do que tentar corrigi-los, reeducá-los, recurperá-los, enfim? Eu gostaria de saber o que se passa na cabeça dessas pessoas (grande parte da classe média) para chamar outras, as que não tiverem nada na vida, além de miséria, violência e humilhação, e que, "surpreendentemente" comentem crimes, de monstros e afins.
O que eu realmente não entendo, é ver gente de classe média comentendo as maiores barbaridades. Filhos de políticos que queimam mendigos, moça rica que manda matar os pais e a garotada que usa drogas compradas no morro e depois se surpreende com a violência no asfalto.
E a pena de morte? Creio que não existe nada mais desumando do que tal proposta. O sistema carcerário brasileiro é uma forma de condenação à morte. Superlotação, ociosidade para a maioria, corrupção dos agentes públicos, rivalidade de facções, condições desumanas no cárcere... Com tantas adversidades, a pessoa que conseguir sair viva de uma penitenciária brasileira, tem sorte.
A minha tristeza, quando penso no futuro dessas pessoas, ganha um alento ao ler as palavras de Luiz Eduardo Soares, no livro Cabeça de Porco.
"O grande desafio está em humanizar o sujeito que comete o crime, sem subtrair-lhe a responsabilidade; responsabilizar o ´sistema`, sem eximi-lo da responsabilidade de distribuir responsabilidades e aplicar penas, segundo as leis, humanizando-as; humanizar o ´sistema`, tranformando-o, criando condições para que prosperem a solidariedade e a verdadeira justiça. Como fazê-lo? Mesmo sendo difícil encontrar a saída, o método está escolhido: a esperança." (2005:125)
No momento, sinto uma profunda revolta com o papel deseducador da mídia. E, conseqüentemente, perdi a esperança em boa parte dos veículos de comunicação (salvo alguns da mídia alternativa). Mas não a perdi no poder de (re)ação da sociedade, nas possíveis mudanças e no futuro.
02:25 Posted in Protesto! | Permalink | Comments (4) | Email this
02/09/2007
O Vazio
Faz tempo que não atualizo o blog. Não sei se é por falta de assunto, de inspiração, ou eu ando menos problemática. O fato é que isso aqui tá devagar...
Hoje eu sentei para ver se saía alguma coisa. Comecei sei-lá-quantos textos e apaguei todos antes de terminá-los. Li quase todo conteúdo do blog, consertei algumas coisas e, no geral, fiquei feliz com os textos. Pensei "não é possível, tem que sair mais alguma coisa dessa cabeça".
Nada.
E mais uma vez pensei o quanto seria injusto com os meus amigos, aqueles que sempre me apoiaram e me incentivaram a escrever, deixar esse espaço sem novidades por tanto tempo. Mas o que eu posso fazer se não sai nada à altura dos meus incentivadores? Exagero? Talvez. Desculpa? Provável. Mas eu juro que tentei.
Por isso, queridos amigos, fico por aqui, com o meu vazio, sem poder oferecer-lhes algo digno.
04:00 Posted in homo-sapiens problematicus | Permalink | Comments (2) | Email this

