04/18/2008
Sorte no Cinema
Tenho ido pouco ao cinema. Menos do que poderia, pelo menos. Mas gostei tanto dos últimos filmes que assisti, que estou escrevendo este post apenas para recomendá-los a vocês. Vamos lá (na ordem em que foram vistos):
1 - A culpa é do Fidel! (La Faute à Fidel!), direção de Julie Gavras.
2 - Estamos bem mesmo sem você (Anche libero va bene), direção de Kim Rossi Stuart (que também estrela o filme).
3 - Sangue Negro (There will be blood), dirigido por Paul Thomas Anderson.
4 - Piaf - um hino ao amor (La Môme), direção de Olivier Dahan.
5 - Paranoid Park, dirigido por Gus Van Sant.
6 - Juízo, direção de Maria Augusta Ramos.
7 - Bajo Juárez, dirigido por Alejandra Sánchez Orozco e José Antonio Cordero.
8 - Porta 12 (Puerta 12), de Pablo Tesoriere.
Alguns ainda estão em cartaz. Aproveitem!
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04/30/2006
V de...
A humanidade está caminhando para um futuro que ninguém sabe ao certo. Guerra no Iraque, conflitos antigos entre judeus e palestinos, Irã e o urânio enriquecido e a supremacia americana cada vez mais questionada. Guerra biológica, guerra nuclear e guerra de informações. Dá para prever mais ou menos o destino da raça humana. Poucas pessoas têm essa preocupação, a maioria ainda está sob o efeito do individualismo capitalista.
O destino próximo da humanidade é muito bem revelado em “V de Vingança”, longa do diretor James McTeigue, que conta com Natalie Portman (Evey) e Hugo Weaving (esse mesmo, o vilão da trilogia Matrix) como “V”. A trama se passa na Inglaterra, que vive sob um regime autoritário que transmite aparente paz após anos de guerras e caos, iniciados nos Estados Unidos. Manipulação de informações, toques de recolher, censores pelas ruas, oposição oprimida, todas as medidas que se pensam necessárias em um governo ditatorial faziam parte da realidade inglesa naquele momento. O personagem V luta contra as injustiças e corrupção do governo inglês utilizando a violência, incitando o caos e a revolta na população. O governo, que tem muitos princípios nazistas, inicia uma caça ao chamado “terrorista”, e não mede esforços para prender, torturar e matar as pessoas que tenham qualquer envolvimento com V.
Alguma semelhança com a história brasileira? Sim. E muita. Em 1964, os militares tomaram o governo brasileiro com a justificativa de que o país estava à beira do caos, e de que eles iriam apenas consertar as burradas de João Goulart. Seria algo provisório. Durou 20 anos. Longos anos sem liberdade, sob opressão, tortura, morte e atraso político. A ilusão criada pelos militares convenceu muita gente, mas ao final da ditadura, o povo estava cansado, sem esperanças, sem perspectivas. Todo regime autoritário causa anseios por liberdade e democracia em algum momento.
O caos gera mudança? Talvez. A raça humana vem se mostrando, ao longo da história, muita acomodada. É preciso que se chegue ao fim da linha para que algo seja feito.
Ignoramos a pobreza, a fome e a miséria, as desigualdades social, econômica e de gêneros. Desrespeitamos a natureza, tiramos proveito sem nenhum pudor.
A que extremos teremos de atingir para perceber que o mundo está a ponto de um colapso? Avisos não faltam. Ondas gigantes, furacões, poderio nuclear, vírus de animais...
V de Vingança é muito mais um alerta que uma previsão. Ainda há tempo para se rebelar e lutar, para perceber que está tudo errado. Nunca é tarde para tal, mas quanto mais protelarmos, mais difícil e dura será a mudança. O filme deixa uma mensagem de esperança. V de Vingança, de violência, de vazio, mas também de verdade, de voz, de vez, de vontade e, principalmente, V de vitória.
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04/17/2006
Agressão à moral
Um tapa na cara. Ou um soco na boca do estômago. O que doer mais. Porque dói. Depois de assistir à trama de “Irreversível” parece que “algo morre dentro de nós”, de acordo com a minha amiga cronista, Ingrid Varella. E é exatamente isso que o filme sugere. Não por acaso, o longa é contado de trás pra frente, e as cenas mais fortes se passam no início. Portanto, o máximo de atenção aos acontecimentos é extremamente importante. O título faz alusão, justamente, ao fato de saber as conseqüências antes de conhecer os fatos que as originaram. E que não há nada que possa ser feito para mudar o que aconteceu, são eventos irreversíveis.
O diretor francês Gaspar Noé, que também é o roteirista da trama, tem a clara intenção de chocar o público em diferentes sentidos. Os movimentos de câmera são constantes e intensos, muitas vezes em círculos, chegando a causar náuseas no espectador. Muitas cenas são escuras, com uma sonorização hipnótica e perturbadora, e não há cortes nas cenas. Quer dizer, há cortes sim, mas não na mesma tomada. E quando muda para outra, a câmera gira, como se estivesse buscando os personagens dos acontecimentos anteriores, voltando no tempo.
Outro aspecto do longa que causa um certo incômodo intencional, é que o filme trata de uma vingança. A primeira sequência narra o desespero de dois homens, Marcus (Vincent Cassel) e Pierre (Albert Dupontel) para encontrar o responsável pelo estupro e espancamento de Alex (Mônica Bellucci), atual namorada do primeiro, e ex do segundo. Em seguida, a narrativa conta os fatos que motivaram a vingança, e os fatos antecedentes à tragédia. Os personagens são reais, dramáticos, humanos. As interpretações são limpas, impecáveis, desesperadoras, com destaque para a bela Mônica Bellucci na cena do estupro. Não é válido dar mais detalhes da sequência, mas é certo afirmar que é muito real, extremamente chocante, violenta e surpreendentemente longa.
Uma agressão à moral. É impossível não reagir à seqüência contrária dos acontecimentos, às cenas escuras e perturbadoras, à dramaticidade das situações e à violência extrema. O primeiro diálogo do filme dá o tom da conclusão da trama com uma simples frase: o tempo destrói tudo. O futuro é inevitável, simplesmente irreversível.
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03/21/2006
Os Esquecíveis
Existem filmes que realmente marcam uma vida, que nos fazem parar e pensar em tudo que está ao nosso redor, que nos fazem refletir. Blá, blá, blá. A verdade é que a maioria das pessoas não liga para isso, querem simplesmente se acomodar no sofá ou na poltrona e ter um momentinho de lazer. Sim, pra esquecer a cara do chefe, os filhos, o que ainda não foi e deve ser feito e porque não, a pessoa que está ao seu lado! Sinceramente, haveria outro motivo para a Jeniffer lopez ser atriz? Ou a Julia Roberts (tudo bem vai, Closer salvou a carreira da atriz... Mas o estigma ficou...).
Não estou criticando os filminhos, pelo contrário. Estou aqui em defesa dos pobres-enredos-pobres. Eu sei que às vezes o estresse é tão grande que um filme do Stanley Kubrick explodiria a cabeça de um. Portanto, nada melhor que uma comédia romântica bem light, daquelas que rimos, suspiramos, choramos e, uma hora depois já não sabemos mais quem é o ator que nos fez suspirar. Viram bem, eu disse comédia romântica, o estilo mais inofensivo do cinema, o único gênero que pode se dar ao luxo de ser, digamos, esquecível.
Portanto, nada de comparar "Um lugar chamado Notting Hill" com os filmes do Charles Bronson. O segundo não tem justificativa alguma para sequer existir. Então, irei enumerar alguns desses filminhos que marcaram apenas alguns poucos momentos (uns 110 minutos) em nossas vidinhas.
Uma linda mulher: Com Julia Roberts e Richard Gere. Quem nunca suspirou quando viu a Julia deixar a vida fácil para agarrar uma vida mais fácil ainda ao lado do milionário Richard Gere? E tem cena mais legal do que quando a personagem de Julia, Vivian, vai às compras e volta toda chique para esnobar a vendedora que a desprezou? O fato é que o filme de 1990 ainda leva muitas menininhas às nuvens. Só não vamos comentar o figurino da Julia...
Um lugar chamado Notting Hill: Outra pérola de Julia Roberts. Mas, meninas, quem resiste ao sotaque britânico e ao jeitinho estabanado do Hugh...Ah, Hugh...Desta vez Julia não é uma prostituta, e sim uma atriz cansada dos holofotes, enquanto Hugh Grant (ah, Hugh) interpreta um simples comerciante de guias turísticos. Deu certo? Não me lembro...
10 coisas que eu odeio em você: Tudo bem. Há quem considere esse filme mais um clássico baboseira-de-high-school-americana. Até é...Mas é tão bonitinho. Particularmente o considero uma comédia-romântica teen. A melhor cena do filme não é a que o Heath Ledger canta “Can´t take my eyes off of you”. E sim quando a Julia Stiles lê um poema em sala de aula no fim do filme. Eu sempre chorava. Parte dele dizia que “...I hate it when you make me laugh — even worse when you make me cry. / I hate it that you're not around and the fact that you didn't call./ But mostly I hate the way I don't hate you — not even close, not even a little bit, not even at all.” Nossa...Não é que ainda causa um efeito estranho sobre mim...
O casamento dos meus sonhos: Não é tão conhecido quanto “uma linda mulher”, mas podemos dizer que Jennifer Lopez é uma forte candidata à rainha dos esquecíveis. Sua personagem, Mary Fiore, é uma organizadora de casamentos (blergh) bem-sucedida e independente até que...Apaixona-se pelo noivo do casamento que está organizando. O galã do filme é o Matthew McConaughey. Nada mal, né?
Como perder um homem em 10 dias: Mais uma trama com Matthew McConaughey. Só que desta vez ele não é noivo de ninguém, e sim um solteirão convicto que faz uma aposta para conseguir uma campanha milionária. A aposta? Conquistar uma bela moça, interpretada por kate Hudson. O que o rapaz não sabia era que a sua vítima, uma jornalista de assuntos femininos também o usaria como cobaia para sua próxima matéria. Não é lá essas coisas, o filme rende mais risadas do que suspiros. E só vale a pena por isso.
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