05/29/2007
O Surrupio do Rabino
No Brasil, roubar é para pobre. Rico se "traumatiza".
Ah, e os ricos também têm direito a acordos "humanos". E não podemos esquecer o acompanhamento psicológico - extremamente necessário.
Até quando?
23:45 Posted in Curtinhas | Permalink | Comments (2) | Email this
Para a Surpresa de Alguns...
Algumas pessoas sabem que eu adoro futebol. Outras nem imaginam. O que não está diretamente ligado ao fato de a pessoa me conhecer bem ou não. Tenho grandes amigos que não fazem idéia dessa minha paixão - para muitos, sem senitdo - por futebol.
Nas últimas semanas, tive uma série de vivências intensas relacionadas ao tema. Meu time, o Botafogo de Futebol e Regatas, enfrentou várias partidas decisivas em competições paralelas. E isso mexeu comigo. Achei que o meu fervor limitava-se ao momento do jogo. Não é verdade.
Na última quarta-feira, quem acompanha futebol deve ter visto, ou pelo menos ficou sabendo, da eliminação do Botafogo na Copa do Brasil. Foi triste. Maracanã cheio e silencioso. Injusto. Não toquei no assunto com muitas pessoas e hoje, quando uma amiga me ligou p´ra falar sobre o jogo, eu, finalmente, desabafei. Foi ótimo. Até então, eu não conseguia parar de pensar no assunto. Estou aliviada.
Uma pena que o tal alivio dure apenas até a próxima partida do Fogão. Futebol é assim.
E quem precisa de religião?
22:47 Posted in Curtinhas | Permalink | Comments (1) | Email this
Uma Nova Categoria
Resolvi criar a categoria "curtinhas", para textos curtos, de leitura rápida. Quem sabe assim eu não atualizo o blog com mais freqüência, né? Afinal, não é sempre (quase nunca, na verdade) que tenho tempo ou paciência para escrever textos longos.
Espero que vocês gostem!
22:35 Posted in Curtinhas | Permalink | Comments (0) | Email this
04/20/2007
Abismo Feminino
Quando penso que as mulheres estão se livrando do enorme peso moral colocado sobre nossas costas há tanto tempo, a realidade vem à tona e eu não consigo me conformar. Passamos tantos anos esquecidas pela História (que é contada e documentada sob o olhar masculino), submissas, frustradas. Desde os anos 60, quando a luta pela igualdade entre gêneros se intensificou, muitas mulheres lutaram e lutam para que sejamos, enfim, encaradas como seres humanos, donas de nós mesmas. E muita coisa mudou, é verdade.
(Escrevo este texto na primeira pessoa do plural para me incluir no contexto e mostrar o quanto estou transtornada).
As revistas femininas, encaradas como espécie de "bíblia" por muitas mulheres de classe média, se popularizaram com o discurso pseudofeminista. A idéia de liberdade de tais periódicos é a de que as mulheres são livres para consumir. Elas podem trabalhar, desde que não se livrem da dupla jornada, com a condição de que permaneçam no mundo doméstico. O mesmo vale para os programas de tv.
O contraponto da imagem da mulher nesses meios de comunicação é um tanto curioso: ao mesmo tempo em que somos tratadas como mães e donas de casa, devemos permanecer jovens, magras e lindas. Nos tornaram escravas do consumo. Querem nos fazer acreditar que assim seremos felizes. Somos cercadas por estereótipos loiros de corpos "sarados", por roupas da moda que custam o mês inteiro de trabalho, por cosméticos que nos vendem a juventude (requisito indispensável para ser bela, de acordo com alguns veículos de comunicação).
E tudo isso está tão internalizado por nós, que nem percebemos que, na verdade, esses conceitos não nos pertencem. Como nos anos 50, quando revistas femininas faziam muitas mulheres crerem que a infidelidade de seus maridos era "natural", um fator biológico.
Decidi escrever este texto depois de assistir um comercial na televisão, e pesquisar algumas coisas na rede.
Toda vez que vejo o desagradável anúncio do absorvente Intimus Gel, tenho vontade de explodir a televisão. Juro. A propaganda é de extremo mau-gosto, e começa com a seguinte pergunta: o que os homens mais reparam em uma mulher? Num tom irônico, a propaganda segue com três respostas masculinas. O primeiro dizia que repara nas bochechas; o segundo afirmava que aquelas que falam muito o atraem; o terceiro, bom esse aí disse que o que conta é a beleza interior. Logo em seguida passa uma moça, a câmera foca em sua bunda (sim, bunda!), e vários homens olham na mesma direção da tal câmera. Vocês podem conferir o comercial aqui.
Não bastasse a revolta por conta do comercial, comecei a fuçar na rede o que as revistas femininas andam aprontando. Tiro certo. A revista Nova está promovendo um "concurso cultural", que pretende premiar leitoras que responderem de forma mais criativa à pergunta "que loucura você faria para conseguir um autógrafo?". Ah, faltou dizer que os prêmios são fotos autografadas de atores globais. Devo admitir que o conceito de cultura é realmente relativo.
Até quando vamos continuar alimentando este tipo de coisa? Até quando permitiremos tal tratamento pela mídia? Eu espero que as mulheres se conscientizem. Que se revoltem. Que ajam. Cancelar assinaturas poderia ser um começo.
02:10 Posted in Mulheres, mulheres... | Permalink | Comments (6) | Email this
02/13/2007
Desabafo
Cansei. Não consigo mais ver televisão, ler jornais (nem mesmo as versões online) ou ouvir rádio. Toda a minha perturbação e irritação tem um nome (composto): João Helio. Na verdade, tenho pena da criança, pela morte horrível e, imagino, desesperadora. Mas o que realmente me perturba é a exploração desmensurada que a mídia anda fazendo do caso. O menino está sendo usado para pautar as coisas mais absurdas, como diminuir a maioridade penal e - pasmem - discutir a pena de morte.
Como pensar em diminuição da maioridade penal em um país onde já se condena jovens pobres à criminalidade e à morte precoce, por conta da ausência do Estado e do desprezo da sociedade? Será porque é muito mais fácil propor que meninos de 16, 17 anos sejam presos e jogados de vez no universo da criminalidade, em um caminho sem volta, do que tentar corrigi-los, reeducá-los, recurperá-los, enfim? Eu gostaria de saber o que se passa na cabeça dessas pessoas (grande parte da classe média) para chamar outras, as que não tiverem nada na vida, além de miséria, violência e humilhação, e que, "surpreendentemente" comentem crimes, de monstros e afins.
O que eu realmente não entendo, é ver gente de classe média comentendo as maiores barbaridades. Filhos de políticos que queimam mendigos, moça rica que manda matar os pais e a garotada que usa drogas compradas no morro e depois se surpreende com a violência no asfalto.
E a pena de morte? Creio que não existe nada mais desumando do que tal proposta. O sistema carcerário brasileiro é uma forma de condenação à morte. Superlotação, ociosidade para a maioria, corrupção dos agentes públicos, rivalidade de facções, condições desumanas no cárcere... Com tantas adversidades, a pessoa que conseguir sair viva de uma penitenciária brasileira, tem sorte.
A minha tristeza, quando penso no futuro dessas pessoas, ganha um alento ao ler as palavras de Luiz Eduardo Soares, no livro Cabeça de Porco.
"O grande desafio está em humanizar o sujeito que comete o crime, sem subtrair-lhe a responsabilidade; responsabilizar o ´sistema`, sem eximi-lo da responsabilidade de distribuir responsabilidades e aplicar penas, segundo as leis, humanizando-as; humanizar o ´sistema`, tranformando-o, criando condições para que prosperem a solidariedade e a verdadeira justiça. Como fazê-lo? Mesmo sendo difícil encontrar a saída, o método está escolhido: a esperança." (2005:125)
No momento, sinto uma profunda revolta com o papel deseducador da mídia. E, conseqüentemente, perdi a esperança em boa parte dos veículos de comunicação (salvo alguns da mídia alternativa). Mas não a perdi no poder de (re)ação da sociedade, nas possíveis mudanças e no futuro.
02:25 Posted in Protesto! | Permalink | Comments (4) | Email this

