06/23/2008

Para acabar com a farra do capital

Recentemente uma amiga minha foi demitida da empresa em que trabalhava havia três semanas por ter feito a prova do concurso da Petrobrás. Ela, e mais duas pessoas, foram humilhadas pelo vice-presidente da empresa MedCurso, que chamou de "traição" a participação no aceite.

A farra de demissões proporcionada pelo empresariado poderia acabar, mas anda sofrendo forte lobby para que a Convenção 158 da OIT seja arquivada e não ratificada, como ocorreu no governo de FHC, melhor amigo dos patrões. Leia a história em detalhes aqui.

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04/25/2008

Maravilhas do Capitalismo Tupiniquim

Fiquei abismada ao ler a notícia na Globo.com sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi (antiga Telemar). A matéria mostra que, com a fusão, a Oi passa a controlar quase todo o serviço de telefonia no país. Apenas São Paulo fica de fora.

Na verdade, a ANATEL ainda precisa regulamentar o processo. E difilmente deixará de fazê-lo. Em nota, a Telemar afirmou que "está em curso iniciativa do Ministério das Comunicações no sentido de recomendar, dentre outras iniciativas voltadas ao desenvolvimento do setor e ao estímulo da competição, a supressão da vedação referida anteriormente (...) que impedem a transferência de controle ou de concessão". Eu não sou nenhuma especialista ou analista econômica, mas é realmente difícil crer que fusões incentivam a concorrência. Recapitulando: UMA empresa irá controlar o serviço em todo país, exceto São Paulo. Cadê a concorrência?

E viva o capitalismo tupiniquim e as agências (não)reguladoras!

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06/06/2007

A Tal Liberdade de Imprensa

Desde que o governo Chávez anunciou que não renovaria a concessão pública da RCTV, uma das maiores empresas midiáticas da Venezuela, começou o escarcéu nos Estados Unidos e no Brasil.

Por aqui, teve até moção pela reabertura da emissora.

Todas as críticas direcionadas a Chávez entoam palavras como "democracia", "liberdade", "ditador". O que a mídia brasileira "esqueceu" de informar é que concessões públicas têm prazos limitados e critérios para renovação. O que mais leio por aí é que a emissora foi fechada por Chávez. Não foi. Apenas a concessão PÚBLICA não foi renovada. Absurdo? De modo algum. Especialmente porque a decisão foi convincentemente motivada.

Para quem não sabe, a RCTV participou da tentativa de golpe de Estado sofrido pela Venezuela em 2002, quando o seu presidente, Hugo Chávez, eleito pelo voto popular, foi seqüestrado pelos membros da oposição e a RCTV (assim como outras emissoras venezuelanas) informava à população que Chávez havia renunciado. Antes da tentativa de golpe, a emissora já fazia por merecer a perda da concessão. Num confronto entre pessoas pró e contra Chavez, onde milhares de pessoas saíram feridas e algumas mil foram mortas de maneira suspeita, a RCTV fez uma edição absurda do confronto, como se os manifestantes pró-Chavéz fossem os autores dos disparos que mataram tanta gente (aliás, não se sabia de onde vinham os tiros, todos certeiros, nas cabeças dos manifestantes. Mas pareciam ter sido disparados por atiradores de elite).

Enfim, a emissora tem uma longa lista que impede a renovação da concessão.

Resolvi escrever sobre isso porque a cobertura feita pela grande mídia brasileira distorce e omite uma série de informações relevantes para se pensar o caso. O documentário "A Revolução Não Será Televisionada" é uma ótima fonte de informação sobre o golpe na Venezuela. Existem muitos bons artigos sobre o caso RCTV. Aí vão alguns deles:

http://www.chicoalencar.com.br/chico2004/artigos_do.php?c...

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm...

http://www.ola.cse.ufsc.br/analise/20070528_chavez.pdf

http://rafaelfortes.wordpress.com/2006/11/07/a-revolucao-...

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02/13/2007

Desabafo

Cansei. Não consigo mais ver televisão, ler jornais (nem mesmo as versões online) ou ouvir rádio. Toda a minha perturbação e irritação tem um nome (composto): João Helio. Na verdade, tenho pena da criança, pela morte horrível e, imagino, desesperadora. Mas o que realmente me perturba é a exploração desmensurada que a mídia anda fazendo do caso. O menino está sendo usado para pautar as coisas mais absurdas, como diminuir a maioridade penal e - pasmem - discutir a pena de morte.

Como pensar em diminuição da maioridade penal em um país onde já se condena jovens pobres à criminalidade e à morte precoce, por conta da ausência do Estado e do desprezo da sociedade? Será porque é muito mais fácil propor que meninos de 16, 17 anos sejam presos e jogados de vez no universo da criminalidade, em um caminho sem volta, do que tentar corrigi-los, reeducá-los, recurperá-los, enfim? Eu gostaria de saber o que se passa na cabeça dessas pessoas (grande parte da classe média) para chamar outras, as que não tiverem nada na vida, além de miséria, violência e humilhação, e que, "surpreendentemente" comentem crimes, de monstros e afins.

O que eu realmente não entendo, é ver gente de classe média comentendo as maiores barbaridades. Filhos de políticos que queimam mendigos, moça rica que manda matar os pais e a garotada que usa drogas compradas no morro e depois se surpreende com a violência no asfalto.

E a pena de morte? Creio que não existe nada mais desumando do que tal proposta. O sistema carcerário brasileiro é uma forma de condenação à morte. Superlotação, ociosidade para a maioria, corrupção dos agentes públicos, rivalidade de facções, condições desumanas no cárcere... Com tantas adversidades, a pessoa que conseguir sair viva de uma penitenciária brasileira, tem sorte.

A minha tristeza, quando penso no futuro dessas pessoas, ganha um alento ao ler as palavras de Luiz Eduardo Soares, no livro Cabeça de Porco.

"O grande desafio está em humanizar o sujeito que comete o crime, sem subtrair-lhe a responsabilidade; responsabilizar o ´sistema`, sem eximi-lo da responsabilidade de distribuir responsabilidades e aplicar penas, segundo as leis, humanizando-as; humanizar o ´sistema`, tranformando-o, criando condições para que prosperem a solidariedade e a verdadeira justiça. Como fazê-lo? Mesmo sendo difícil encontrar a saída, o método está escolhido: a esperança." (2005:125)

No momento, sinto uma profunda revolta com o papel deseducador da mídia. E, conseqüentemente, perdi a esperança em boa parte dos veículos de comunicação (salvo alguns da mídia alternativa). Mas não a perdi no poder de (re)ação da sociedade, nas possíveis mudanças e no futuro.

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07/13/2006

Há vida após a Copa

Um ano de CPIs, 365 dias de mensalão, dois meses de ataques à população de São Paulo e, para o povo brasileiro, o pior aconteceu: nossa seleção ficou em quinto lugar no Mundial. As pessoas simplesmente ignoraram todo o “resto” que acontecia no país para acompanhar os jogos da Copa do Mundo. Tudo bem, isso acontece de quatro em quatro anos, e sempre junto à eleição. Lembra da eleição? É em outubro. Já sabe em quem votar? Ou prefere esperar o circo começar no horário de propaganda eleitoral?

A parte mais divertida da eleição nunca é o resultado. É a propaganda eleitoral! Para quem tem TV a cabo, parece ser uma tentação, ou quase um hábito mudar de canal no momento em que os candidatos começam a falar seus nomes e números. Aliás, odeio quando, no lugar da voz do próprio candidato, há um locutor. Perde toda a graça. Ainda bem que existe a campanha do PRONA para fazer meu dia. “Ao meu lado, o senhor Sepúúúlveda”, bom demais!

Confesso ser difícil levar a política brasileira a sério. Para muitos, o que resta é debochar. Lula é candidato à reeleição e, provavelmente perderá força no Congresso graças aos escândalos sucessivos envolvendo seu partido e, conseqüentemente, o questionamento da moral do Presidente. E quem é a maior oposição a Lula? Um Tucano, é claro. É sempre assim. A sorte do Alckmin foi ter largado o governo de São Paulo antes da onda de violência. A mim, o presidenciável não causa nada. Nadinha. Carisma e potencial, zero. Ainda tem o Cristóvão Buarque, do quase-morto PDT. Esse aí já assumiu a derrota dia desses. Já sabe que não há chance alguma de entrar na disputa com o mísero 1% da intenção de votos. E a Heloísa Helena...Bom, primeiro gostaria de esclarecer que chamá-la de “mal-comida” é de extremo mau gosto! É a única que me inspira alguma coisa, apesar de achá-la um tanto radical.

Enquanto isso, aqueles que têm maior consciência de tudo que está acontecendo, além da derrota brasileira na Copa, formam dois movimentos opostos: “Em 2006, voto nulo” e o “Não reclame, vote”. A obviedade do que ambos os movimentos tratam não será repetida por mim. O que me acalma é perceber que parte da população, especialmente os jovens, voltou a preocupar-se com o futuro do país. Independente do que acontecer, que todos estejam conscientes das conseqüências.

Então, lá vai a pergunta: já sabe se vai votar em 2006?


Para saber mais: http://www.culturabrasil.pro.br/votonulo.htm e http://www.naoreclamevote.com.br

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03/13/2006

A política do bom discurso

É inevitável. Ela nos persegue. Não tente fugir. A política está em todos os cantos possíveis, impossíveis e inimagináveis (esses são criados pelos parlamentares. É sempre um bom lugar para superfaturar obras e esconder dinheiro público). A política é parte de nossas vidas. Não podemos simplesmente ignorá-la por mais avesso que sejamos à ela. Seria inadmissível não termos opiniões a respeito. Aí é que está. Ter uma posição não significa decorar um discurso revolucionário-ultrabatido e achar que vai salvar o país com ele. Quem quer salvar o país, sério?

Tudo bem, pareceu pessimista. Mas me desculpem, eu vi um impeachment, três mudanças de moeda, cinco presidentes, dezenas de CPIs e o pior - vejo meu país afundando, cada vez mais. Sou brasileira e minha paciência tem limite! Com todo este histórico não dá pra vibrar a cada eleição. Ah, eleição...

E não adianta dizer que não agüenta mais tanta CPI, tanta acareação, Tanta MP, ou cassação. Acostume-se com isso! Somos brasileiros, afinal. Estou me sentindo confusa...(pausa para acalmar os ânimos e a revolta).

Não consigo simplesmente continuar acreditando. Por que temos de ser estigmatizados como o "povo da esperança"? Por que eu tenho que ser brasileira e não desistir nunca? Estou tão cansada...Quero desobrigar-me desta função. Não quero mais ser uma cidadã cega, uma otimista sem motivos, não quero ter a solução. No momento, não sei nem se quero jantar. Eu não sei o que é bom para o país, eu não tenho um discurso falacioso detalhadamente decorado, eu não quero explodir Brasília, eu não quero ter um candidato, eu quero ter o direito de anular meu voto sem ser chamada de antidemocrática. Estou pedindo demais? Seria tão utópico assim?

Portanto, não me venha com discursinhos prontos, odeio ouvi-los. Principalmente pelo fato de a política ser inevitável. Já que não posso simplesmente ignorá-la, me reserve o direito de querer um pouco de coerência.

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03/09/2006

Oito motivos para não comemorar

O Dia Internacional da Mulher é uma farsa. Sim, isso mesmo, uma grande mentira. No dia 8 de Março de 1857, na cidade de Nova York, milhares de mulheres protestavam contra a desigualdade de gênero e a favor do reconhecimento de seus direitos. A polícia reagiu à manifestação deixando mortas e feridas no que se tornou o dia simbólico em homenagem às mulheres. Não preciso de parabéns ou de comemorações. Dispenso, obrigada. E em pleno século XXI ainda enfrentamos muitos problemas parecidos com aqueles do século XIX. Aí vão oito razões para protestar contra esta data infame.

1.Diferenças de cargos e salários

É inadmissível que ainda haja discrepâncias em relação à vida profissional dos gêneros. Céus, não vejo razão para os homens ganharem mais, tendo o mesmo cargo que a mulher. Absurdo sem tamanho.

2.Você pode ser tudo, desde que também seja mãe e dona-de-casa

É exatamente assim que grande parte da sociedade ainda pensa. As mulheres podem ter a liberdade que quiserem, desde que tenham filhos e cuide do maridinho. Nojento.

3. Piadinhas e mais piadinhas...

O machismo ainda existe e todo mundo sabe muito bem disso. A melhor maneira de ofender, violentar alguém é através do sarcasmo, da ironia. As piadas são a melhor arma desses porcos chauvinistas para ofender a causa feminina.

4. Oriente Médio

Eu entendo que temos de ser relativistas em relação às diferenças culturais. Mas andar toda coberta e, alguns casos, ter de pedir autorização ao marido ou ao filho (???) para sair da cidade não é lá aceitável.

5. Estereótipos

Loura-burra, piranha, santinha...Chega de rótulos! Somos o que somos! Não há nada mais incoerente do que pré-julgamentos, portanto, homens e mulheres, não os façam!

6. A mulher é emocional e o homem racional

Essa é a maior besteira que existe. E desde o final do século XIX essa baboseira vem rolando por aí. Só que naquele tempo os médicos diziam que o desenvolvimento do cérebro feminino acarretava no atrofiamento do útero. Isso é sério?


7. Garanhões e galinhas

Essa é clássica. Homens que saem por aí “pegando” tudo o que se mexe são os famosos “garanhões”. Adivinha o que acontece se uma mulher fizer o mesmo? Vagabunda, galinha, e por aí vai...

8. Aborto

Por mais religiosidade que o assunto envolva, é direito da mulher decidir se deve ou não ter um filho. Afinal é o seu corpo, seu futuro que está em jogo. Muito fácil julgar a ação como assassinato, quando devemos pensar que não é certo colocar um ser humano no mundo sem o menor preparo para tal.


Um dia, talvez, as mulheres tenham reais motivos para comemorar. Quem sabe no próximo século.

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