04/19/2008

Marilene Felinto, ONG e meu pai: uma estranha coincidência

Sexta-feira à noite. Tédio. É impressionante como os canais de filmes da TV a cabo passam tanta coisa ruim ao mesmo tempo. Resolvi, então, terminar de ler a edição de abril da Caros Amigos. Começo pelo artigo de Marilene Felinto (colunista da revista que escreve sobre educação - sobretudo a paulista), intitulado "O governo Serra e a formação de imbecis" (não está disponível na web) e eis que me deparo com algo que me remeteu a um encontro simplesmente bizarro que tive no ano passado, com uma pessoa igualmente esquisita.

Voltando a 2007...

Num dia de trabalho qualquer, recebi uma ligação de meu pai. Ele disse que havia conhecido uma pessoa e que ela estava precisando dos meus serviços (jornalísticos. Ainda não estou matanto por dinheiro, fiquem tranquilos). Marquei um encontro com a tal pessoa para o mesmo dia. O indivíduo, com nome engraçado - que eu não vou citar, claro -, pertencia a uma ONG ligada à educação, o que já me deixou muito desconfiada, graças ao Sérgio Bianchi. Ele precisava de alguém para organizar a comunicação da "empresa", como ele mesmo disse. A conversa deve ter durado uma hora. E ia piorando à medida que falávamos de nossas posições políticas: eram extremamente opostas. Perto do moço eu era de fato uma radical de esquerda.

Eu lembro exatamente o ponto em que a conversa tornou-se incômoda para mim. Foi quando ele disse qual era a proposta da ONG: conseguir dinheiro (público, de preferência) para que os profissionais da "empresa" dele se instalassem nas escolas públicas para treinar professores. E para quê? Para que eles, os profesores, aprendessem a identificar "gênios" ou crianças superdotadas nas turmas. E as outras crianças? Ah, essas outras não servem para nada. Já estão marginalizadas mesmo. O que realmente importa é que o "mercado", essa instituição quase espírita que, dizem por aí, se auto-regula, é competitivo e não perdoa. E é isso que as nossas crianças devem aprender desde cedo: que o mundo é cruel e só os melhores, os "vencedores" sobrevivem (ou os mais ricos). Achei a proposta um tremendo disparate. E, claro, disse ao moço que não poderia ajudá-lo a realizar um projeto que vai contra TODAS as minhas convicções, e não apenas as políticas (o que, para mim, já teria sido o suficiente para não participar).

Daí a minha surpresa ao ler o artigo de Marilene Felinto, que diz, em determinado trecho que "A brutalidade tucana inventou mais uma diretriz estúpida, na mesma linha de 'sobrevivência do mais apto': a de 'treinar' professores para identificar os alunos superdotados da classe!"

Coincidência, né? Ou não? Estranho, né? Ou não? O que vocês acham? Terá o governo de São Paulo a ver com o meu encontro bizarro?

Aliás, recomendo não só o artigo da dona Felinto, como toda a edição de abril da Caros Amigos

E viva as sextas-feiras tediosas!

04/25/2006

Romances e Romances

Como eu já expus antes aqui, os filmes românticos-engraçadinhos até que me agradam. Não marcam, não emocionam, mas também não incomodam. Porém, é impossível comparar um verdadeiro, um autêntico romance, com uma comédia-romântica. Desculpem-me, mas não dá. Querem uma antítese? Profundo-vazio. Respectivamente.


Vou explicar melhor: o romance é irreal, impossível, intocável. Imagine só, você está perdidamente apaixonada por alguém que vai para a guerra. A Primeira Guerra Mundial, para ser mais exata. Quer algo mais romântico do que lutar contra a Alemanha, futura terra nazista? Para aumentar o drama, a mocinha tem problemas em uma das pernas, e manca. Ok, até agora essa descrição parece mais a de um filme de comédia-freak-show. Mas com todas essas adversidades nada prováveis, a trama consegue ser linda, delicada e profunda. Estou falando de “Eterno Amor”, com a minha preferida Audrey Tautou. O longa é belo de maneira singular. O que me chama atenção nos filmes franceses é o senso de humor esperto, seco e o fato de quase sempre ter um narrador. Em “Amor Eterno”, uma mulher, de voz suave, conta a história de amor de Mathilde e Manech. A mocinha aguardava notícias do noivo até saber que, para fugir da guerra, ele e outros soldados se mutilaram. Todos são condenados à morte e jogados no meio da trincheira. A partir de informações vindas dos mais inesperados fatos, Mathilde sai em busca da verdade sobre o destino de seu amado. Ai...(suspiro).


Parece trágico, mas não é. É romance!

Sintam a diferença.


Um homem, lá pelos seus 35 anos, ainda mora com os pais. A mamãe faz a cama, a comida, lava a roupa e dá beijo de despedida. Patético? Mais do que isso. “Armação do Amor” (o título de mau gosto até que faz jus ao filminho) com Sarah Jéssica Parker e Matthew McConaughey é mais engraçadinho que romântico. Paula, personagem de Parker, faz uma espécie de consultora...Hum...Como explicar a profissão desta mulher? Ela tenta convencer os marmanjos a saírem (finalmente) da casa dos pais, mas os rapazes não sabem que a moça é, na verdade, uma profissional. Preciso continuar ou vocês já sabem que eles acabam se apaixonando, ele descobre a verdade, ela se arrepende, enfim. Além da trama batida, o longa tem uma seqüência de situações impossíveis no sentido nada romântico (exemplos...Tripp é mordido por camaleões, golfinhos e esquilos). Não vou discriminar o esquecível, não vou me contradizer. Mas não tem comparação, vai.

O verdadeiro romance levamos conosco. Fica em nosso peito, em nossas emoções, permanece guardadinho no lado mais profundo de nossas mentes. Exagerei? Desculpem, acho que não consigo mais esconder. Sou uma romântica não-assumida. Ops, escapou!

04/06/2006

22 anos... Com direito a trilha sonora

Como a maioria de vocês já sabe, meu aniversário está chegando. Eu sei, tô chata com isso. Deve ser algum tipo de carência mal-resolvida que daqui uns anos, só um psicólogo (ou um psiquiatra) poderá resolver. Enquanto não chega esse momento, resolvi analisar esses (poucos) anos de minha vida e só consegui pensar em uma maneira de fazer isso: as músicas que embalaram as diferentes épocas de minha existência. Não estou colocando aqui os meus gostos musicais. Até porque as músicas parecem ter vontade própria. Eu não as escolhi, elas que me escolheram.

Meus pais se separaram há muito tempo. Precisamente há 18 anos. Lembro-me de presenciar muitas brigas entre os dois e, ao fundo, o rádio tocava "Rush, rush", da Paula Abdul que, naquele tempo nem sonhava em ser jurada do American Idol. Ouvia também "Take my breath away" da Berlin, trilha sonora do nem-tão-célebre "Top Gun", estrelado por Tom Cruise. Até hoje, quando ouço as tais canções, tenho as mesmas sensações. Mas não se enganem, não lembro apenas dos desentendimentos de mamãe e papai. Lembro, também, do quadrinho que ficava no corredor, da luz do banheiro que estava sempre acesa e da janela com vidrinhos coloridos em frente à minha cama. Boas lembranças...

Aos 7 anos passei a ouvir música constantemente. Já colocava sozinha vinis, fitas cassetes e CD’s (novidade na época) para ouvir no som. Lembro-me bem de ter uma certa coleção de CD’s, financiada pelo meu padrasto na época. Eram os Guns N’ Roses! “Live And Let Die” e “November Rain” eram parte da minha trilha sonora preferida para brincar de quem-pula-mais-longe-da-rede.

Logo depois, aos 9, creio que enfrentei uma fase meio estranha. Nesse tempo, comecei a adoração à melancolia. Nossa, que exagero! Calma, vou explicar melhor: comecei a gostar de cultivar uma certa tristeza ao som de baladinhas bem tristes. A música que melhor representa esse momento é “bizarre love triangle” (“every time I see you falling...”), do New order e a versão voz e violão, bem mais recente, com uma voz feminina cantando. Também continuo tendo sensações estranhas quando as ouço.

Me recompus aos 10. Madonna colaborou muito para isso. Eu ouvia “The Emmaculate Collection” religiosamente, todos os dias depois da escola. Tentava imitar os passos de “Holiday”, “Lucky Star”, “Material Girl”, chorava ao som de “Live to Tell” e “Crazy For You” e suspirava com “Cherish”, minha preferida.

Na 5° série, quando eu tinha 11 anos, comecei a descobrir que merda é se apaixonar. Época de descobertas e crises pré-adolescentes, outras duas músicas me vêm à cabeça, ambas nacionais. “Se” cantada por Djavan e “Sobre o Tempo” do Patofu. Confesso que não sou fã de nenhum dos dois hoje em dia, mas como expressei no início do texto, as músicas escolhem seu momento.

Com 13, 14 anos comecei a minha fase (vergonhosa, por sinal) latina. Acho que de tanto ouvir Shakira, meu espanhol ficou fluente. “...Quiero excederme, perseguirte pretenderte, /
Quiero amarte noche y dia / Quiero gastarme la vida...”. E confesso, hoje em dia sem vergonha alguma, que tenho muitas saudades de ouvir aquela voz estranha da Shakira cantando outra música, “Antología”. Logo depois, lembro que comecei a ouvir Alanis. Adoro até hoje. Essa louca marcou e muito um período que foi até meus 15 anos. “Jagged little Pill” ainda se perpetua como um de meus cd’s favoritos. Quando ouço aquela guitarra no início de “Wake Up” me arrepio...(suspiro). E a agressividade de “Not the Doctor” e “All I Really want” ainda fazem a minha cabeça. Alanis retornou ao meu som logo depois com o MTV Unplugged. “And you're like a 90's jesus / And you revel in your psychosis / How dare you...”.

16 anos é sempre uma fase meio complicada. Ninguém te ouve, ninguém te respeita, você não sabe o que quer. Uma droga. Para me ajudar a entender esse momento tão confuso, ouvi muito Sublime. Naquele tempo o vocalista Bradley Nowell já tinha perdido a “guerra” contra a heroína (de acordo com a letra de Pool Shark, Bradley vivia tentando se livrar da maldita, mas não conseguiu. Morreu de overdose em 96), mas “Santeria” tocou tanto no rádio alguns anos antes que, mesmo sem vocalista, a banda manteve o sucesso nos anos seguintes. Eu ouvia “Boss DJ” umas dez vezes por dia. Ou mais.

Engraçado que até os 17 eu ainda tive dois momentos com trilhas sonoras. Depois disso, estes ficaram mais curtos. Hoje, com quase 22, devo ter uma trilha a cada mês. Em agosto do ano passado me rendi ao Save Ferris, logo depois ao Natiruts. Em outubro, ouvia muito um cd de músicas francesas, enganada pela minha prima que dizia que aquela era a trilha sonora do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. E não era mesmo. Mas nem por isso deixei de gostar das musiquinhas! Em dezembro de 2005, uma amiga muito querida me deu uma coletânea de presente de natal, com músicas selecionadas por ela. Marcou bastante, ainda dá nó na garganta. Passei por Marisa Monte (mas essa é eterna!), Vanessa da Mata (essa está proibida por enquanto) e a verdadeira trilha sonora de Amélie poulain (apaixonante). De repente, toda essa mistura de músicas tenha muito mais a ver com sentimentos do que se imagina. Todos os títulos que coloquei aqui trazem um turbilhão de sensações boas, ruins, estranhas, tristes...Agora, estou esperando a trilha do próximo mês, ou, quem sabe, da próxima semana. Qual será?